Primata Parrila: Que piada é essa?

Artigo de Flávio Romeu Picinini

Restaurante localizado em Presidente Prudente, SP, publicou em seu Instagram propagandas publicitárias que debocham da situação da Etiópia, país africano que enfrentou uma situação de fome generalizada por mais de 30 anos afirmando que ““Fazer as refeições juntos une a família! Etiópia, povo sem união”.; e que remetem a crimes de repercussão nacional e internacional, como o Caso Eliza Samudio, em que o goleiro Bruno admitiu que a vítima foi assassinada, esquartejada e teve as partes do corpo jogadas para os cachorros comerem (,“O cão é o melhor amigo do homem, [assinado] goleiro Bruno”), bem como o Caso Isabella Nardoni, que foi jogada do sexto andar do prédio em que morava o pai e autor do crime, Alexandre Nardoni. (“Filho a gente não cria para nós. Cria para jogar no mundo, [assinado] Alexandre Nardoni”)

O PROCON aplicou multa de valor irrisório, quando poderia chegar até o valor de R$ 11 milhões. Houve denúncia do conteúdo publicado no CONAR que prometeu investigar o caso.

A atitude um desrespeito aos valores da sociedade e da dignidade da pessoa. Porém, por incrível que pareça, há quem defenda a postura do restaurante classificando o conteúdo como “humor negro”

A direção do restaurante Primata Parrilla defende estar no direito de fazer qualquer tipo de humor e que as piadas publicadas na página não condizem com a opinião do estabelecimento. “Fizemos uma piada, igual sempre fazemos. Aliás, basta entrar no nosso Instagram para ver. Isso não quer dizer que achamos os portugueses e as loiras burros, nem negros menos favorecidos e muito menos que as mulheres devem morrer. Piada não é opinião”, argumenta. O estabelecimento destaca “ainda estar em um país livre” e “quem se sentir ofendido tem todo o direito de não ir ao local”. Acrescenta ainda que se tornou vítima da “cultura do cancelamento”

Embora o Código de Defesa do Consumidor proíba publicidade abusiva, acredito que a postura deste perfil ultrapassou os limites do tolerável.

Apoio a nota de repúdio da Frente pela Vida das Mulheres de Presidente Prudente que enfatiza tratar-se de postagens ofensivas, racistas, misóginas, xenófobas e, com frequência, pratica o discurso de ódio. “Tal atitude naturaliza os crimes citados, desrespeita a memória das vítimas de feminicídio e de racismo, ultrapassa os limites da liberdade de expressão, incita a violência e outros, além de descumprir a função social da empresa”.

A atitude é um desrespeito aos valores da sociedade e da dignidade da pessoa.

Embora o Código de Defesa do Consumidor proíba publicidade abusiva, acredito que a postura do restaurante é intolerável.


Muitos jornais e perfis de relevância tem dado cobertura ao caso. Qual sua opinião?

leia mais em:

Restaurante de Prudente sofre boicote após satirizar crimes | O Imparcial

Procon multa em R$ 1.134,85 restaurante que publicou conteúdo ofensivo | O Imparcial

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