Você é empregado ou colaborador?

Artigo de Flávio Romeu Picinini

Na época em que comecei a trabalhar, há mais de 45 anos atrás, era chamado de empregado da firma.

Parecendo evoluir no tempo, passei a ser chamado de “funcionário” desde quando ingressei na Caixa Econômica Federal.

Depois dos anos 90, percebi que os antigos empregados e funcionários passaram a ser chamados de “colaboradores.”

Algumas empresas vão mais além e chamam seus empregados de “parceiros”.

Neste novo discurso, patrões dizem:

– Você é parte integrante e interessada no sucesso da empresa. Participe mais, se envolva na solução dos problemas; tenha comprometimento com o aumento da produtividade; estude e evolua, desenvolva seu potencial profissional. Dedique-se cada vez mais!

Sinto muito, mas preciso dizer que estão te enganando, como sempre as elites empresariais fizeram ao longo da história.

A lógica da nova denominação é claríssima: disfarçar a condição de subordinação e exploração do trabalhador.

A CLT é clara em seu artigo 3º, empregado continua sendo empregado, pois é toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário

O empregado vende sua força de trabalho e o patrão fica com os lucros do processo produtivo.

Ora, colabora quem tem voz, quem pode interferir no processo produtivo, quem pode em pé de igualdade ditar regras e recebe parte dos lucros auferidos pela empresa e esse não é o caso dos trabalhadores brasileiros, que em grande número sem sequer possuem Carteira de Trabalho, em um país onde direitos mínimos são sonegados e ficam impunes.

Então, chamar de “colaborador” quem só cumpre ordens, não tem poder de decisão, não se apropria dos lucros de forma igual e costuma ser demitido quando questiona seus direitos ou quando a empresa entra em dificuldades é até perversidade.

Por isso, o vocábulo “COLABORADOR” foi criado pelos patrões para alienar os empregados para que não percebam a existência da divisão de classes e de sua posição subalterna; para que não seja lembrado de que os seus interesses se chocam inevitavelmente com o do empregador; para que ele não reconheça a peculiaridade de sua condição de trabalhador sujeito a ordens e a disciplina.

Que fique claro:

O trabalhador vende e coloca à disposição do empregador valiosas horas de sua finita permanência neste mundo. Para ele, o capital é cada minuto de sua vida.

E, em contraposição, o patrão explora esse tempo o máximo que puder e objetiva maximizar seu lucro. Sabe que uma das formas básicas para aumentar sua rentabilidade é comprar mais tempo de vida do trabalhador pelo menor preço possível.

E, assim, na mesma linha, basta perguntar a qualquer empregador se gostaria que seus empregados trabalhassem mais tempo por salários menores.

Enfim, empregado é empregado, subordinado e dependente do empregador. Esta é a lógica implacável do sistema capitalista.

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